Opinião: Rede social fora da Internet é possível e desejável

Por Talita Moretto

Em uma época em que se fala massivamente sobre o uso de tecnologia na educação, presenciamos um desespero e uma ansiedade de pais e professores em como conciliar a presença de aparatos tecnológicos na educação de crianças, adolescentes e jovens.

Na educação escolar, em especial, percebo que muitos professores ficam afoitos para usar computador, celular, Internet, lousa digital e se esquecem de incorporar no planejamento pedagógico ações simples, mas que promovem a educação e a aproximação dos pupilos com o mundo real e palpável que os envolve.

Torna-se prudente lembrar que o contato com as pessoas e com a natureza leva ao aprendizado mais significativo e consciente para o uso de tecnologias.

Muitas intervenções “da moda” (não menos importantes) – como sala de aula invertida, a maior tendência para o ensino – podem ser adaptadas utilizando práticas antigas, muitas vezes esquecidas, que o pessoal das gerações anteriores experienciavam quase que rotineiramente em sua época de escola. Por exemplo: Aulas ao ar livre, que hoje também podem ser chamadas de “sala de aula sem paredes”.

Com que frequência os professores de hoje levam seus alunos ao pátio e organizam uma roda de conversa sobre um gramado, sentindo o sol, o vento e tendo a a experiência de perceber o mundo, com os celulares desligados? Sem quadro negro ou lousa digital, sem datashow ou computadores, apenas na companhia um do outro?

Organizar aulas-passeio, ou excursões escolares, levar os alunos a diferentes pontos da cidade para que conheçam o lugar onde vivem, como funciona o comércio, a administração pública, o trânsito, as pessoas e as ruas. Isso faz bem, isso também faz parte do ensino.

É preciso libertar os alunos dos calabouços criados pela tecnologia e levá-los a conhecer o mundo portando sua tecnologia. Confuso? Estou falando de “pisar” no chão, mas com o celular nas mãos. Por que não?

A tecnologia deve fazer parte desse contexto. Por exemplo: Professor, leve os alunos ao parque da cidade. Escolham um espacinho para sentar e conversar a respeito do local, reserve alguns minutos para que todos observem em silêncio o que existe por lá, então peça que utilizem seus celulares para registrar o que de interessante encontraram naquele espaço. Na sala de aula “com paredes”, os alunos podem fazer uma produção textual e utilizar as imagens para ilustrar o texto. E esse material pode ser publicado no blog da escola. É um exemplo de como resgatar práticas antigas unindo-as de maneira favorável à tecnologia.

Imagem: Created by Pressfoto – Freepik.com

Por que isso é importante?

Porque para usar tecnologia é necessário antes introduzir os alunos no estudo. Caso contrário, tudo desmorona. Daí sim acontece dispersão, falta de interesse (e de respeito!), tumulto; professor estressado, aulas chatas, expositivas e cansativas, sem participação do estudante e apenas com a voz e a imposição do professor.

Dialogar a respeito do conteúdo, fazê-los imergir nas aulas e depois apresentar como a tecnologia pode entrar e auxiliar nos estudos. Este é o caminho!

Oras, então vamos aproveitar as técnicas antigas, não abandoná-las.

Por isso, é importante ser um professor com vontade de ensinar e de aprender, porque depois das aulas ao ar livre o educador precisa entender o funcionamento da tecnologia que vai indicar aos alunos, somente assim conseguirá conduzi-los ao uso correto e favorável à aula. E é fato que todas as tecnologias utilizadas pelos alunos convergem na Internet.

Não é à toa que 07 de fevereiro foi o Dia da Internet Segura 2017 (Safer Internet Day). Esta é uma “iniciativa anual com objetivo de envolver e unir os diferentes atores, públicos e privados, na promoção de atividades de conscientização em torno do uso seguro, ético e responsável das TICs, nas escolas, universidades, ONG’s e na própria rede. Reúne atualmente mais de 100 países para mobilizar usuários e instituições em torno da data e estimular um uso livre e seguro”. Saiba mais: www.safernet.org.br/site/sid2017.

Pois é, existem pessoas pensando por todos nós em como fazer o uso seguro da Internet. E mais: Elas disponibilizam material e estimulam que ações sejam levadas adiante e compartilhadas para criar uma rede de pessoas interessadas em aprender como utilizar a Internet de forma segura.

É necessário pegar na mão da criança, explicar o que é e para que serve a faixa de pedestres, apontar para o semáforo e explicar suas cores ensinando, dessa forma, a criança a atravessar a rua com segurança. Pois bem, se já fazemos isso automaticamente sem reclamar, conscientes da importância e da necessidade desse aprendizado, por que continuamos a acreditar que podemos deixar as crianças soltas para que atravessem de qualquer maneira os caminhos nebulosos da Internet?

Quando o professor sabe guiar seus alunos no mundo real, saberá fazer isso no mundo virtual.

Este artigo foi publicado na coluna de Talita Moretto para o NET Educação (21 de abril de 2017).
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