Opinião: Parem de fazer propaganda de seus filhos na Internet

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Por Talita Moretto

Neste artigo, não farei referências a pesquisas sobre redes sociais, nem comportamento online, muito menos segurança digital, farei uma observação íntima, pessoal, talvez subjetiva, mas optei por expor uma percepção minha em relação ao comportamento nas mídias sociais, especificamente, no Facebook. O que reforça ainda mais a necessidade de “adultos”, pais, professores e educadores conhecerem esses espaços e saber como utilizá-los apropriadamente.

Embora eu seja especializada e trabalhe diariamente com formação de professores para uso de tecnologias na educação, tenho muitas ressalvas sobre o uso massivo e indiscriminado que fazemos dessas tecnologias no âmbito social, e uma situação que tem ganhado força, e que me preocupa, é a exposição exagerada de crianças no Facebook.

Não é segredo que embora traga benefícios (no meu caso, falo profissionalmente), o Facebook também tem uma incrível capacidade de promover a beleza e a feiura; a vitória e a derrota; a autoestima e a depressão. Se não publicamos na rede que amamos uma pessoa, o sentimento parece não existir. Existe uma necessidade inexplicável de revelar cada momento de tristeza e alegria para que mais pessoas “desconhecidas” saibam de nossos sucessos – e assim possam elogiar – e de nossas tristezas – e assim possam nos consolar. Mais que isso, existe uma necessidade extrema de mostrar como somos excelentes pais e fazemos filhos lindos!

Desde a gestação, crianças estão sendo expostas nas redes virtuais. Seus nomes, suas roupinhas e mimos são exibidos antes de nascerem. Elas nascem e as fotos começam a ser postadas desde a maternidade. A cada dia de vida e crescimento, fotos em diferentes posições (porque é necessário mostrar todos os ângulos), em diferentes lugares frequentados pela família, apenas pela necessidade dos pais em mostrar ao mundo como seus filhos são lindos, amados, abençoados com tantos brinquedos maravilhosos e roupas estilosas.

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As crianças crescem. Agora as fotos são de meninas de biquíni (meninos peladinhos ou de sunga também, mas as fotos de meninas me perturbam mais), depois com o uniforme da escola, fazendo cinco posições diferentes com a mãozinha no rosto e a legenda: “Obrigado meu deus por eu ter uma filha tão linda!”.

As crianças são acostumadas, desde bebês, a acreditarem que a beleza é o que importa, mas que elas não precisam se preocupar porque são lindas, talentosas e espertas.

Cada brinquedo novo também é postado e cada “gracinha” é compartilhada, muitas vezes, expondo a criança a situações constrangedoras de maneira desnecessária.

Um dia desses, deparei-me com um vídeo de uma mãe que filmava seu filho brincando. A criança – que deve ter uns 2 anos – parou a brincadeira, olhou para a mãe e falou séria: “Não bate foto!”. A mãe responde: “Não vou bater”, e continuou a filmar. E eu, e muitos outros internautas, continuamos assistindo, porque é óbvio que é uma graça, uma fofura!

Ok! Podem postar uma ou duas fotos, os amigos gostam de acompanhar o crescimento dos “pequenos”, mas eu farei um apelo:

Pais, parem de fazer propaganda de seus filhos na Internet!

O perigo não é a Internet, é não saber usá-la. Quem culparemos quando algo ruim acontecer?

Não vamos esquecer que tudo o que é publicado na Internet se dissemina rapidamente, e não há bloqueio de visualização capaz de barrar o potencial de alcance da rede.

Este artigo foi publicado em minha coluna no NET Educação (23 de fevereiro de 2016).

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